segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

32 - Hipótese absurda


Deus Hipotético

Luiz Fernando Veríssimo

Um religioso dirá que não faltam provas da existência de Deus e da sua influência em nossas vidas. Quem não tem a mesma convicção não pode deixar de se admirar com o poder do que é, afinal, apenas uma suposição.

A hipótese de que haja um Deus que criou o mundo e ouve as nossas preces tem sobrevivido a todos os desafios da razão, independentemente de provas.

Agora mesmo assistimos ao espetáculo de uma empresa multinacional às voltas com a sucessão no comando do seu vasto e rico império, e o admirável é que tudo — o império, a riqueza e o fascínio dos rituais e das intrigas da Igreja de Roma — seja baseado, há 2000 anos, em nada mais do que uma suposição.

Todas as religiões monoteístas compartilham da mesma hipótese, só divergindo em detalhes como o nome do seu deus. E todas têm causado o mesmo dano, em nome da hipótese.

Não é preciso nem falar no fundamentalismo islâmico, que aterroriza o próprio islã. Há o fundamentalismo judaico, com sua receita teocrática e intolerante para a sobrevivência de Israel.

O fundamentalismo cristão, que representa o que há de mais retrógrado e assustador no reacionarismo americano, e as religiões neopentecostais que se multiplicam no Brasil, quase todas atuando no limite entre o curandeirismo e a exploração da crendice.

A Igreja Católica pelo menos dá espetáculos mais bonitos, mas luta para escapar do obscurantismo que caracterizou sua história nestes 2000 anos, contra um conservadorismo ainda dominante. A hipótese de Deus não tem inspirado as religiões a serem muito religiosas.

Há aquela parábola do Dostoievski sobre o encontro do Grande Inquisidor com Jesus Cristo, que volta à Terra — o filho da hipótese tornado homem — para salvar a humanidade outra vez, já que da primeira vez não deu certo.

Os dois conversam na cela onde Cristo foi metido por estar perturbando a ordem pública, e o Grande Inquisidor não demora a perceber que a pregação do homem ameaçará, antes de mais nada, a própria Igreja, a religião institucionalizada e os privilégios do poder.

Não me lembro como termina a parábola. Desconfio que, se fosse hoje, deixariam o Cristo trancado na cela e jogariam a chave fora.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

31 - Ninguém merece



A contribuição pessoal para o bem estar e o desenvolvimento da sociedade é um dever de todos. Além de agir no próprio benefício e no da sua família, as pessoas devem trabalhar pelo bem estar da sua comunidade, do seu país e da humanidade.
A pessoa se sente bem quando consegue dar uma contribuição para o coletivo da sua categoria ou espécie. E se sente mal quando não faz isso.
Isso, talvez, é mais do que um dever. É uma compulsão genética. Algo que está impresso em nossos cromossomos e que nos compele a agir em benefício do grupo.
Essa compulsão genética é traduzida pelas palavras orgulho ou vergonha. Aquele que dá a sua contribuição, sente-se orgulhoso. O que não contribui, sente vergonha.
Essa, provavelmente é uma característica da espéicie, assim como dos demais animais e é fundamental para a continuação das espécies. É um instinto, que, assim como o instinto sexual, favorece a continuidade e propagação da espécie humana.
A pessoa que não consegue exercer o seu instinto reprodutivo, sente-se mal. O instinto o instiga a procriar. Da mesma forma, a pessoa que se sente inútil aos demais, incapaz de dar uma boa contribuição para o bem geral, se sente mal.
Por isso, a pessoa é mais feliz quando sente o orgulho de estar contribuindo para a sociedade.
A participação cooperativa na vida social começa pela família e a escola, vai ao bairro e à cidade e chega à nação e o mundo.
As crianças devem ser ensinadas e estimuladas a fazer isso na família, depois na escola, depois no bairro e na cidade. Os mais aptos poderão contribuir para a melhoria do país e do mundo. Para isso, além de se preparar, a pessoa precisa participar.
Criticar e reclamar, apenas, não é suficiente.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

30 - Verdades incômodas




VERDADES INCÔMODAS:
Minha vida só será melhor pelo meu esforço.
Ame e não espere ser amado. Você pode controlar os seus sentimentos, mas não pode controlar os sentimentos alheios.

MENTIRAS RECONFORTANTES:
Deus nos ama
Deus nos guiará
Deus

domingo, 13 de janeiro de 2013

29 - Nossa visão do mundo



O chifre que o rinoceronte tem no lugar do nosso nariz influi na sua visão do mundo. O mesmo acontece com nós devido a apêndices mentais que temos no nosso cérebro. Algumas dessas idéias favorecem a nossa visão. Outras atrapalham. A essas últimas chamamos de preconceito. São visões equivocadas ou inconvenientes que prejudicam a nossa visão do mundo e, consequentemente, a escolha dos caminhos que temos de trilhar em nossas vidas.
É um erro pensar que uma pessoa, por ser homossexual, obesa, judia ou árabe, fiel ou agnóstica, tem menos (ou mais) valor do que as outras.
Os preconceitos perturbam e alteram a visão que temos do mundo.
Portadores de preconceitos diferentes enxergam o mundo de forma diferente, por isso pensam diferente e têm dificuldade para se entender entre si.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

28 - Tolerância

Sobre a liberdade de expressão
Música de um compositor australiano, com uma visão diferente sobre o Natal, foi incluída num CD beneficente. Muita gente protestou, considerando a letra desrespeitosa com os crentes.
Talvez o que houve foi um desrespeito dos crentes com alguém que não tem o mesmo pensamento que eles.
O respeito à liberdade de expressar opinião é fundamental. Ninguém é obrigado a concordar, mas deve haver liberdade para todos expressarem as suas convicções e sentimentos. Ainda mais quando a expressão se faz através de uma bela canção.
Tim Minchin é um prestigiado músico e ator.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=6E4ooioOo9g#!

domingo, 23 de dezembro de 2012

27 - E, quem sabe, a vida é da vida a razão


A vida é bela e cheia de desafios, mas é preciso saber viver



A verdade é simples.
Quem procura enganar,  usa palavras complexas e impressionantes. Quem fala a verdade não precisa disso.

A letra dessa música, na sua simplicidade, contém muito mais verdade do que toda a imensa bibliografia dos filósofos metafísicos.


Vida

Ricardo Engels Garay 
e Carlos Ludwig,

Vida é chuva, é sol
Uma fila, um olá
Um retrato, um farol
Que será que será
Vida é um filho que cresce
Uma estrada, um caminho
É um pouco de tudo
É um beijo, um carinho

É um sino tocando, uma fêmea no cio
É alguém se chegando
É o que ninguém viu
É discurso, é promessa
É um mar, é um rio
Vida é a revolução, é deixar como está
É uma velha canção, Deus nos deu, Deus dará
Vida é a solidão, é a turma do bar
É partir sem razão, é voltar por voltar
Vida é palco é platéia, é cadeira vazia
É rotina, odisséia, é sair de uma fria
É um sonho tão bom, é a briga no altar
Vida!!! É um grito de gol
É um banho de mar
É inverno e verão
Vida!!! É mentira, é verdade
E quem sabe a vida é da vida razão.

O letrista dessa canção, sugere que é vã a imensa discussão já realizada pela humanidade na busca da razão da vida (da existência humana). 
E, quem sabe, a razão da vida é simplesmente a vida.
Ou seja, não inventem mentiras para justificar e explicar a vida. A vida é isso que está aí, que todos vemos e sentimos.  A ciência tem muito a nos dizer sobre a origem da vida (e nos diz o que sabe, com simplicidade). Mas os cientistas reconhecem que o que sabem é muito menos do que o que não sabem. E não ficam tristes por isso. Para eles, isto significa apenas que existe muito trabalho pela frente. O cientista reconhece a sua ignorância sem traumas. São gente boa. Temos que ter um pouco mais de  cuidado com as pessoas que dizem saber tudo. Gente que, por exemplo, conta em detalhes como o mundo começou e quando vai terminar.  Mas não nos explicam direito como foi que obtiveram tais informações.
O cientista, quando transmite aos seus colegas o resultado de muitos anos de laboriosa pesquisa, os chama de teoria e pede aos demais cientistas que confiram seus cálculos, analisem suas conclusões e critiquem os seus métodos. É assim que procede uma pessoa séria. 





26 - Más ideologias conduzem países à miséria e à guerra



Esse quadro, que circula na internet, nos proporciona uma boa reflexão.No passado da humanidade, as guerras (entre países) e revoluções (internas) foram uma constante. Mas, nas últimas décadas, a maior parte dos países civilizados viveu longe desse flagelo. O pior tormento humano ao longo de milênios.Na época, diante de qualquer infortúnio, se costumava dizer, como consolo: "Não é nada. Pior é a guerra."As guerras e conflitos internos aconteceram por influência de líderes desvairados que conseguiam empolgar o povo, cheio de ressentimento e ódio. Para isso, esses líderes criavam uma nova crença política ou religiosa: uma ideologia. No caso, uma má ideologia, pois existem boas e más ideologias.
O que distingue as boas das más são os resultados que elas trazem. 
Todo governo precisa ter uma ideologia, para agregar o povo. Mas é necessário que eles adotem uma boa ideologia, capaz de conduzir ao progresso e à paz.
No fundo, o que leva os povos à guerra é a ignorância da massa e a ambição desmedida dos líderes. Mas uma má ideologia (seja religiosa, seja política) serve para justificar a prática dos crimes. Mata-se pelo povo, pela nação, por deus. 
O desejo de ajudar as pessoas humildes, o amor pela sua terra e a fé religiosa não são, necessariamente, sentimentos ruins. Mas a história humana mostra que eles foram usados para levar o povo a ações calamitosas.
Na grande maioria dos casos, devemos considerar que os fins não justificam os meios. Matar, corromper, mentir, não são as melhores maneiras de se alcançar os objetivos.
Mas elas já foram (e ainda são) muito utilizadas.