sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

35 - No amor, o homem é amador e a mulher profissional

Na missão de seduzir, a mulher não brinca: ela está  trabalhando
Normalmente, a mulher tem muito mais competência nas artes do amor do que o homem. Tratando-se de casamento, quem vai decidir é a mulher, que tem a reprodução no foco dos seus desejos. A formação dos casais que irão reproduzir (casamento formal ou a informal, chamada de união estável) depende muito mais da vontade da mulher do que do homem.
No amor, a mulher é profissional e o homem um simples amador. Quando ela resolve seduzir alguém, não está se divertindo, está trabalhando. Focada no seu objetivo, ela não brinca em serviço.
É claro que, como em outros setores, existem profissionais incompetentes e amadores muito capacitados. Mas são exceções e elas não desmentem a regra.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

34 - A debilidade é força



Nossas fraquezas são a nossa força, nosos defeitos são as nossas virtudes. Todos  
têm virtudes suficientes para conquistar a felicidade e o respeito dos demais.


O que se precisa é utilizar as ferramentas disponíveis para fazer um bom trabalho e ter uma boa vida.

Ser alto, bonito, rico e inteligente, pode ser um defeito, se a posse de tais qualidades leve a pessoa a ser presunçosa ou se  ela esperar que as tendo tem o seu futuro e a sua felicidade asseguradas.

Uma pessoa que não possui tais virtudes, pode suprir com esforço e estudo as suas carências e, com isso, conquistar mais sucesso e felicidade do que outras pessoas naturalmente mais bem dotadas.




quinta-feira, 14 de março de 2013

33 - Abuso sexual

Cabe à mulher rejeitar o macho que não considere
o melhor para reproduzir com ela
A mulher tem o reconhecido direito de ser abusada sexualmente apenas pelos homens que ela desejar que a abusem. Em outras palavras, ela tem o direito de escolher o homem ou os homens com os quais está disposta a praticar o sexo.
Esse é um direito reconhecido e as leis preveem punições severas para os homens que o transgredirem. Pune-se desde o estupro até o abuso sexual, que pode ser praticado através de palavras, toques ou outros atos praticados em decorrência da atração natural que o homem sente pelas mulheres.
A lei foi feita em sintonia com o princípio da seleção natural. Para que a espécie evolua e se aprimore, garantindo assim a sua preservação, é necessário que as fêmeas selecionem os machos com maiores aptidões para encarar a luta pela vida, além da proteção e sustento da sua fêmea e dos filhotes que o casal vier a produzir.
Dentro desse princípio natural, a mulher tem de repelir o assédio dos homens que considera não ser o melhor macho que ela puder encontrar.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

32 - Hipótese absurda


Deus Hipotético

Luiz Fernando Veríssimo

Um religioso dirá que não faltam provas da existência de Deus e da sua influência em nossas vidas. Quem não tem a mesma convicção não pode deixar de se admirar com o poder do que é, afinal, apenas uma suposição.

A hipótese de que haja um Deus que criou o mundo e ouve as nossas preces tem sobrevivido a todos os desafios da razão, independentemente de provas.

Agora mesmo assistimos ao espetáculo de uma empresa multinacional às voltas com a sucessão no comando do seu vasto e rico império, e o admirável é que tudo — o império, a riqueza e o fascínio dos rituais e das intrigas da Igreja de Roma — seja baseado, há 2000 anos, em nada mais do que uma suposição.

Todas as religiões monoteístas compartilham da mesma hipótese, só divergindo em detalhes como o nome do seu deus. E todas têm causado o mesmo dano, em nome da hipótese.

Não é preciso nem falar no fundamentalismo islâmico, que aterroriza o próprio islã. Há o fundamentalismo judaico, com sua receita teocrática e intolerante para a sobrevivência de Israel.

O fundamentalismo cristão, que representa o que há de mais retrógrado e assustador no reacionarismo americano, e as religiões neopentecostais que se multiplicam no Brasil, quase todas atuando no limite entre o curandeirismo e a exploração da crendice.

A Igreja Católica pelo menos dá espetáculos mais bonitos, mas luta para escapar do obscurantismo que caracterizou sua história nestes 2000 anos, contra um conservadorismo ainda dominante. A hipótese de Deus não tem inspirado as religiões a serem muito religiosas.

Há aquela parábola do Dostoievski sobre o encontro do Grande Inquisidor com Jesus Cristo, que volta à Terra — o filho da hipótese tornado homem — para salvar a humanidade outra vez, já que da primeira vez não deu certo.

Os dois conversam na cela onde Cristo foi metido por estar perturbando a ordem pública, e o Grande Inquisidor não demora a perceber que a pregação do homem ameaçará, antes de mais nada, a própria Igreja, a religião institucionalizada e os privilégios do poder.

Não me lembro como termina a parábola. Desconfio que, se fosse hoje, deixariam o Cristo trancado na cela e jogariam a chave fora.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

31 - Ninguém merece



A contribuição pessoal para o bem estar e o desenvolvimento da sociedade é um dever de todos. Além de agir no próprio benefício e no da sua família, as pessoas devem trabalhar pelo bem estar da sua comunidade, do seu país e da humanidade.
A pessoa se sente bem quando consegue dar uma contribuição para o coletivo da sua categoria ou espécie. E se sente mal quando não faz isso.
Isso, talvez, é mais do que um dever. É uma compulsão genética. Algo que está impresso em nossos cromossomos e que nos compele a agir em benefício do grupo.
Essa compulsão genética é traduzida pelas palavras orgulho ou vergonha. Aquele que dá a sua contribuição, sente-se orgulhoso. O que não contribui, sente vergonha.
Essa, provavelmente é uma característica da espéicie, assim como dos demais animais e é fundamental para a continuação das espécies. É um instinto, que, assim como o instinto sexual, favorece a continuidade e propagação da espécie humana.
A pessoa que não consegue exercer o seu instinto reprodutivo, sente-se mal. O instinto o instiga a procriar. Da mesma forma, a pessoa que se sente inútil aos demais, incapaz de dar uma boa contribuição para o bem geral, se sente mal.
Por isso, a pessoa é mais feliz quando sente o orgulho de estar contribuindo para a sociedade.
A participação cooperativa na vida social começa pela família e a escola, vai ao bairro e à cidade e chega à nação e o mundo.
As crianças devem ser ensinadas e estimuladas a fazer isso na família, depois na escola, depois no bairro e na cidade. Os mais aptos poderão contribuir para a melhoria do país e do mundo. Para isso, além de se preparar, a pessoa precisa participar.
Criticar e reclamar, apenas, não é suficiente.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

30 - Verdades incômodas




VERDADES INCÔMODAS:
Minha vida só será melhor pelo meu esforço.
Ame e não espere ser amado. Você pode controlar os seus sentimentos, mas não pode controlar os sentimentos alheios.

MENTIRAS RECONFORTANTES:
Deus nos ama
Deus nos guiará
Deus

domingo, 13 de janeiro de 2013

29 - Nossa visão do mundo



O chifre que o rinoceronte tem no lugar do nosso nariz influi na sua visão do mundo. O mesmo acontece com nós devido a apêndices mentais que temos no nosso cérebro. Algumas dessas idéias favorecem a nossa visão. Outras atrapalham. A essas últimas chamamos de preconceito. São visões equivocadas ou inconvenientes que prejudicam a nossa visão do mundo e, consequentemente, a escolha dos caminhos que temos de trilhar em nossas vidas.
É um erro pensar que uma pessoa, por ser homossexual, obesa, judia ou árabe, fiel ou agnóstica, tem menos (ou mais) valor do que as outras.
Os preconceitos perturbam e alteram a visão que temos do mundo.
Portadores de preconceitos diferentes enxergam o mundo de forma diferente, por isso pensam diferente e têm dificuldade para se entender entre si.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

28 - Tolerância

Sobre a liberdade de expressão
Música de um compositor australiano, com uma visão diferente sobre o Natal, foi incluída num CD beneficente. Muita gente protestou, considerando a letra desrespeitosa com os crentes.
Talvez o que houve foi um desrespeito dos crentes com alguém que não tem o mesmo pensamento que eles.
O respeito à liberdade de expressar opinião é fundamental. Ninguém é obrigado a concordar, mas deve haver liberdade para todos expressarem as suas convicções e sentimentos. Ainda mais quando a expressão se faz através de uma bela canção.
Tim Minchin é um prestigiado músico e ator.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=6E4ooioOo9g#!

domingo, 23 de dezembro de 2012

27 - E, quem sabe, a vida é da vida a razão


A vida é bela e cheia de desafios, mas é preciso saber viver



A verdade é simples.
Quem procura enganar,  usa palavras complexas e impressionantes. Quem fala a verdade não precisa disso.

A letra dessa música, na sua simplicidade, contém muito mais verdade do que toda a imensa bibliografia dos filósofos metafísicos.


Vida

Ricardo Engels Garay 
e Carlos Ludwig,

Vida é chuva, é sol
Uma fila, um olá
Um retrato, um farol
Que será que será
Vida é um filho que cresce
Uma estrada, um caminho
É um pouco de tudo
É um beijo, um carinho

É um sino tocando, uma fêmea no cio
É alguém se chegando
É o que ninguém viu
É discurso, é promessa
É um mar, é um rio
Vida é a revolução, é deixar como está
É uma velha canção, Deus nos deu, Deus dará
Vida é a solidão, é a turma do bar
É partir sem razão, é voltar por voltar
Vida é palco é platéia, é cadeira vazia
É rotina, odisséia, é sair de uma fria
É um sonho tão bom, é a briga no altar
Vida!!! É um grito de gol
É um banho de mar
É inverno e verão
Vida!!! É mentira, é verdade
E quem sabe a vida é da vida razão.

O letrista dessa canção, sugere que é vã a imensa discussão já realizada pela humanidade na busca da razão da vida (da existência humana). 
E, quem sabe, a razão da vida é simplesmente a vida.
Ou seja, não inventem mentiras para justificar e explicar a vida. A vida é isso que está aí, que todos vemos e sentimos.  A ciência tem muito a nos dizer sobre a origem da vida (e nos diz o que sabe, com simplicidade). Mas os cientistas reconhecem que o que sabem é muito menos do que o que não sabem. E não ficam tristes por isso. Para eles, isto significa apenas que existe muito trabalho pela frente. O cientista reconhece a sua ignorância sem traumas. São gente boa. Temos que ter um pouco mais de  cuidado com as pessoas que dizem saber tudo. Gente que, por exemplo, conta em detalhes como o mundo começou e quando vai terminar.  Mas não nos explicam direito como foi que obtiveram tais informações.
O cientista, quando transmite aos seus colegas o resultado de muitos anos de laboriosa pesquisa, os chama de teoria e pede aos demais cientistas que confiram seus cálculos, analisem suas conclusões e critiquem os seus métodos. É assim que procede uma pessoa séria. 





26 - Más ideologias conduzem países à miséria e à guerra



Esse quadro, que circula na internet, nos proporciona uma boa reflexão.No passado da humanidade, as guerras (entre países) e revoluções (internas) foram uma constante. Mas, nas últimas décadas, a maior parte dos países civilizados viveu longe desse flagelo. O pior tormento humano ao longo de milênios.Na época, diante de qualquer infortúnio, se costumava dizer, como consolo: "Não é nada. Pior é a guerra."As guerras e conflitos internos aconteceram por influência de líderes desvairados que conseguiam empolgar o povo, cheio de ressentimento e ódio. Para isso, esses líderes criavam uma nova crença política ou religiosa: uma ideologia. No caso, uma má ideologia, pois existem boas e más ideologias.
O que distingue as boas das más são os resultados que elas trazem. 
Todo governo precisa ter uma ideologia, para agregar o povo. Mas é necessário que eles adotem uma boa ideologia, capaz de conduzir ao progresso e à paz.
No fundo, o que leva os povos à guerra é a ignorância da massa e a ambição desmedida dos líderes. Mas uma má ideologia (seja religiosa, seja política) serve para justificar a prática dos crimes. Mata-se pelo povo, pela nação, por deus. 
O desejo de ajudar as pessoas humildes, o amor pela sua terra e a fé religiosa não são, necessariamente, sentimentos ruins. Mas a história humana mostra que eles foram usados para levar o povo a ações calamitosas.
Na grande maioria dos casos, devemos considerar que os fins não justificam os meios. Matar, corromper, mentir, não são as melhores maneiras de se alcançar os objetivos.
Mas elas já foram (e ainda são) muito utilizadas.

sábado, 22 de dezembro de 2012

25 - Dilma mentiu para ganhar a eleição

Na campanha eleitoral, Dilma manifestou-se contra as privatizações.
Depois, na presidência, privatizou
A presidente Dilma Rousseff, por exemplo, ganhou muitos votos na sua eleição, em 2010, ao manifestar-se contra as privatizações (uma "maldade" muito cometida pelos seus adversários do PSDB). Um ano depois, ela anunciava a privatização de aeroportos, por ser a única maneira de evitar o caos no transporte aéreo devido à ineficiência da administração pública dos aeroportos. Fez bem a presidente ao privatizar, pois o governo é, em si, mais ineficiente do que a iniciativa privada.  O povo não decide o seu voto por critérios de competência, como ocorre nas empresas privadas. A eficiência no governo, portanto, é fato raro. Além disso, por mais competente que fosse o presidente eleito, ele não poderia administrar o país inteiro (inclusive seus aeroportos, portos, estradas, bancos, empresas petrolíferas, ciderúrgicas). É muito mais eficaz deixar a produção (de bens e serviços) a cargo da iniciativa privada e deixar para o governo apenas a fiscalização do funcionamento geral.
Fez bem, portanto, a presidente ao privatizar, mas a desmerece o fato de haver mentido para  ganhar a eleição. Enfim, ninguém é perfeito.
Num discurso proferido perante os deputados, em 11 de novembro de 1947, Winston Churchil proferiu a frase que se tornou famosa:
Democracy is the worst form of government, except from all those other forms that have been tried from time to time." 
Ou seja: A democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras que têm sido tentadas de tempo em tempo.
Um defeito óbvio da democracia é o fato de que a massa da população não tem conhecimento suficiente para avaliar qual dos candidatos é o melhor. Mas, como disse Churchill, já foram feitas várias experiências com outras formas de escolha dos governantes, mas nenhuma deu melhores resultados do que a eleição democrática.
Sendo assim, é preciso ser tolerante com a atual governante brasileira e, ao invés de recriminá-la pela incoerência, aplaudi-la pela realização dessas importantes privatizações. Sem elas, o Brasil não estará apto a receber o volume de passageiros que irão passar pelo país nos próximos anos: principalmente durante eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Tomara que essa decisão da presidente sirva para que ela, o PT e o povo brasileiro amadureçam e seja vencido o atual preconceito contra as privatizações. A verdade é que elas são benéficas, contanto que sejam bem feitas.

domingo, 9 de dezembro de 2012

24 - O perigo das ideologias

O consumismo é uma ideologia e serve aos interesses de quem
a inventa e propaga, assim como o comunismo e muitos outros ismos


A ideologia poderia até ser uma boa coisa: um conjunto organizado de idéias. Idéias são coisa boa; se forem várias idéias melhor e, se organizadas, melhor ainda. No entanto aquilo que se tem chamado de ideologia não proporcionou muitas alegrias ao mundo.
O defeito mais comum das idéias é elas não terem vínculo com a realidade. E são idéias assim, defeituosas, que geralmente constituem uma ideologia. Palavra fortemente aparentada com outros perigosos vocábulos, tais como utopia e mitologia.
É preciso tomar cuidado com as ideologias. Belamente encadernadas, elas servem para conduzir pessoas num projeto desvinculado da realidade.
Precisamos acreditar, mas temos de tomar cuidado para acreditar naquilo que tem base na realidade e na verdade. E nunca poderemos ter absoluta certeza das nossas verdades. Precisamos manter dúvidas com relação às nossas convicções e nos manter dispostos a manter diálogo com quem pensa diferente.
Deveria ser fácil perceber que certas crenças não se fundamentam e evitá-las. Só não é assim porque as pessoas acreditam mais facilmente no que querem acreditar do que naquilo que a realidade confirma como coisa real.
Quando a realidade nos mostra que estamos errados, não devemos procurar distorcer os fatos para tentar acomodar nossa crença errônea à realidade. Devemos agradecer a oportunidade que a realidade nos dá de questionar nossas crenças. Quando descobrimos que estamos errados, devemos aproveitar a ocasião para examinar criticamente outras crenças nossas que também podem estar erradas.
As pessoas mais sábias não se prendem a uma ideologia. Seria o mesmo que renunciar ao direito de pensar.

domingo, 25 de novembro de 2012

23 - Para superar o vazio existencial

Realizar algo de bom para a sociedade nos dá satisfação 
e orgulho, motivando a nossa existência
A maioria dos homens não se conforma com o fato da sua existência terminar totalmente no momento da morte. Não consegue aceitar, também, que a sua existência surgiu do puro acaso, assim como a de qualquer árvore ou inseto. Por isso, acreditam num Deus, que criou a humanidade e que criou, também, um destino maior para cada ser humano, mesmo depois da morte.
Quem, porém, não acredita em vida eterna e na existência divina, pode ter o sentimento de vazio existencial. A sensação da própria inutilidade e insignificância e de desânimo na vida, já que não há um objetivo para ela.
A solução para esse problema está na escolha de belos objetivos capazes de motivar a pessoa a buscar algo que lhe dê satisfação e orgulho.
Tenho um amigo que gosta muito de carros, principalmente de carros antigos. Durante anos ele compareceu há inúmeros encontros de proprietários e apreciadores desses veículos. Como ele é muito comunicativo, fez grande amizade com muitas dessas pessoas, inclusive dos organizadores desses eventos. Passou a colaborar com alguns deles e, finalmente, animou-se a realizar um encontro do gênero na sua cidade. Foi um grande sucesso. Milhares de pessoas compareceram ao evento e se encantaram com ele. Meu amigo está agora empenhado em organizar a segunda edição do mesmo evento e tem o apoio de muitas pessoas da cidade que se impressionaram com a beleza e o sucesso do evento.
Meu amigo se sente muito feliz e orgulhoso com isso e, realizar o encontro de carros antigos na sua cidade tornou-se um objetivo de vida para ele. 
Assim, com objetivos e metas desse tipo, as pessoas se sentem desafiadas, motivadas e gratificadas. Cumprir um papel na sociedade, contribuindo para o seu progresso e bem estar é uma forma de eliminar o sentimento de vazio e viver de forma mais digna e feliz.

22 - Mudança de hábitos

Criar em casa um ambiente que nos seja propício é um dos requisitos para a vida feliz
Aos 73 anos, fragilizado por algumas doenças graves e outros tantos amores desfeitos, o comunicador Paulo Sant'Ana procurou transmitir uma lição de vida na sua coluna do jornal Zero Hora. Sob o título A Solidão, ele discorreu sobre a necessidade de deixar de ser acomodado e fazer mudanças, para viver melhor. 
"... a principal mudança que, vejo, me favoreceria grandemente é que preciso aprender a ser só. Isso no sentido de que a maioria das minhas encrencas acontece porque me atiro desesperadamente a fazer certas coisas para não ficar quieto num canto, lendo um livro, praticando natação.
Nada disso. Eu me impaciento e saio para cometer bobagens e coisas que causam danos.
Nunca aprendi a ter paciência. Eu tinha de fazer ioga, meditação, tinha de aprender a ter paciência e não me exasperar com a solidão. Todo meu defeito reside em que me recuso a me encontrar comigo próprio. Eu fujo de mim e, sendo assim, procuro prazeres que, muitas vezes, se tornam vícios. E, sempre que fujo de mim, me arrebento nos rochedos rudes da minha impaciência.
Acontece que a gente tem de se acostumar, muitas vezes, com o tédio. O tédio e a tristeza são componentes da vida. Não dá para querer driblá-los. Isso nos leva a cometer desatinos.
No meu caso, tecnicamente, não consigo ficar em casa. Acho que na rua tem coisa melhor.
Eu me lembro de quando cantava em bares musicais e atingíamos, os que cantavam e os que ouviam, determinados êxtases. Então, eu falava à platéia: "Quero dizer a vocês que, com absoluta certeza, aqui onde estamos está muito melhor do que na nossa casa." As pessoas me aplaudiam, mas isso fazia com que passássemos a detestar as nossas casas.
E, na verdade, um dos segredos da nossa existência é criarmos em nossas casas um ambiente  que nos seja favorável. 
É um segredo buscarmos, e acharmos, prazeres dentro da solidão do nosso lar."

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

21 - Paradoxo aparente


O paradoxo de Charles Bokowski
"O problema do mundo de hoje é que, enquanto  as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, os idiotas estão cheios de certezas." 

Essa frase, do escritor Charles Bokowski, expressa muito bem uma idéia de grande importância. A de que nunca podemos ter absoluta certeza em qualquer afirmação que fizermos.

A pessoa inteligente está consciente disso e expressa suas opiniões ou presta informações com cautela. Muitos idiotas, apesar de saberem muito menos que o inteligente, se expressam com firmeza e veemência, mostrando uma convicção que, na verdade, não é fundamentada.

O problema, conforme disse muito bem Bukowski, é que através da retórica inflamada e usando de apelos demagógicos, o idiota tem mais chances do que o sábio de convencer uma pessoa ingênua. Ao ignorante, não satisfaz uma opinião ponderada, que admite a possibilidade do erro. A mente obtusa não consegue trabalhar com possibilidades, probabilidades, ponderações. Quer que lhe seja oferecido um caminho único e infalível, mesmo que não haja nenhum fundamento razoável para se crer que ele seja verdadeiro.

Foi assim que Hitler e outros líderes políticos de poucas luzes conseguiram fazer com que populações marchassem cegamente para o abismo. Milhões fizeram isso cheios de convicção, inspiradas pelas palavras dos seus líderes.

A frase de Bukowski, portanto, não mostra um paradoxo.  O que ela nos ensina é que devemos duvidar daqueles que nos falam com se tivessem absoluta certeza das coisas. E a crer mais nos que admitem poder estar errados. É muito mais seguro seguir a orientação de uma pessoa inteligente (mesmo que ela não garanta a certeza absoluta) do que a de um idiota, cujas certezas firmemente afirmadas têm, na verdade,  enorme chance de serem errôneas.

Bokowski erra, entretanto, ao situar essa situação como sendo característica do "mundo de hoje". Esse sempre foi um grande mal da humanidade e foi mais no passado do que de hoje. Como ele nasceu em 1920, conheceu tenebrosos períodos de guerra e miséria.  Pode ser que ele escreveu tal frase num período assim (quando, realmente, essa situação se acentua).  Como a humanidade evolui, normalmente, o mundo de hoje é mais civilizado, mais inteligente e mais feliz do que o mundo de ontem.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

20 - A prisão de Monteiro Lobato


A exemplo do que aconteceu com Bertrand Russel, em 1916, Monteiro Lobato também foi preso, por expressar o seu pensamento. Ambos estavam com a razão. Mas, como disse o filósofo Ésquilo, 500 anos antes de Cristo, "na  guerra, a primeira vítima é a verdade" e, é claro, os segundos são aqueles que insistem em ficar ao seu lado.





Monteiro Lobato é o mais influente intelectual brasileiro. Genial, ele foi particularmente brilhante na sua obra dirigida às crianças. Usando palavras simples, prosa agradável, sem enrolar nem esnobar, ele ensinou e inspirou milhões de crianças. Era um idealista. Tentava contribuir para o progresso do país e, para isso, fundou uma editora, escreveu livros, moveu montanhas para elevar a cultura dos brasileiros.
Acreditava que havia petróleo no Brasil, coisa que a maioria duvidava e tentava sensibilizar o governo quanto à necessidade de incentivar as pesquisas nesse sentido.
Em 1941, ele enviou uma carta ao então presidente, ditador, Getúlio Vargas fazendo críticas à política brasileira de exploração de minérios.  Foi preso pelo general Horta Barbosa, que presidia o Conselho Nacional do Poetróleo. Curiosamente, mais tarde, o general tornou-se um defensor do monopólio estatal do petróleo, sendo um dos líderes da famosa campanha "O Petróleo é Nosso".
Lobato foi condenado a seis meses de prisão sem direito a banhos de sol, mas ganhou indulto depois de três meses. Sobre o episódio, Lobato escreveu:
“Depois que me vi condenado a seis meses de prisão, e posto numa cadeia de assassinos e ladrões só porque teimei demais em dar petróleo à minha terra, morri um bom pedaço na alma. O pior foi a incoercível sensação de repugnância que desde então passei a sentir sempre que leio ou ouço a expressão ‘Governo Brasileiro’…” 
Durante a Primeira Grande Guerra, Bertrand Russel ficou preso por seis meses e, na prisão, escreveu um dos seus livros mais admirados. As prisões inglesas, provavelmente, não eram tão deprimentes quanto as brasileiras.




terça-feira, 6 de novembro de 2012

19 - Pensamento instigante

Lançado em 1939, o filme Branca de Neve teve tremendo impacto na cultura mundial
Perguntado se considerava a si mesmo um gênio, Orson Welles disse:
"Gênio é coisa escassa. Eu conheço dois: Walt Disney e Albert Einstein"
Dentro dessa mesma visão, não é absurdo considerar que Monteiro Lobato foi o maior e mais influente escritor brasileiro. 
Lobato, em um de seus principais livros dirigidos ao público infantil,  também impressionou-se com a importância do filme Branca de Neve exaltou a genialidade de Walt Disney, 
O filme de animação colorido e em longa metragem, lançado em 1939, teve impacto mundial, atingindo principalmente o universo infantil, mas também a memória da infância que resta em cada pessoa adulta. O filme, colorido e de longa duração, levou três anos para ser realizado e impactou a humanidade com sua beleza, graça e imaginação. Muito difícil de ser realizado, considerando-se os recursos disponíveis na época, a obra foi revolucionária e teve enorme influência na formação de centenas de milhões de crianças que o assistiram na época (e por muitos anos depois).
Sem a presunção do academicismo, criadores como Disney e Lobato contribuem muito mais para a evolução da cultura humana do que pensadores empolados que tentam impressionar as pessoas com escritos herméticos e metafísicos.

domingo, 21 de outubro de 2012

16 - Tocando em frente

Música de Renato Teixeira e Almir Sater: sabedoria em forma de poesia
.
Tocando em Frente é uma obra prima da música popular brasileira e um verdadeiro hino da sabedoria. Observe em:

A letra tem a mão de Renato Teixeira. autor de Romaria e outros grandes clássicos da música brasileira 

Tocando em Frente
Almir Sater

Composição: Almir Sater e Renato Teixeira

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais.
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe.
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Ou nada sei.

A compreensão da vida, por parte de uma pessoa madura é superior à dos jovens. Em parte pelo acúmulo de experiência e conhecimento, em parte porque na pessoa mais velha os instintos naturais, como o sexual e o guerreiro já estão mais abrandados, permitindo um maior domínio da razão. Isso permite que uma pessoa se torne mais ponderada e, inclusive, menos pretenciosa. Vale máxima socrática de que "quanto mais aprendo, mais me convenço de que nada sei." Com a velhice a pessoa não chega a descobrir a verdade, mas consegue se livrar de muitas ilusões. É mais fácil ser feliz depois disto.

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir.
É preciso a chuva para florir.

As idealizações são enganosas e o homem, por mais que tenha evoluído e sido capaz de grandes realizações, ainda é um ser natural. Uma das tantas espécies que povoam o planeta. Os aspectos que o distinguem das outras espécies são notáveis, mas não tão extraordinários a ponto de o homem ser algo tão magnífico como uma imagem de Deus. Há 3000 anos, quando a humanidade sabia bem menos do que hoje, se considerava assim. Hoje, mais madura e tendo aprendido mais, consegue ver que não é tudo isso. E ser mais humilde.

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias, 
Pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou.

Renato Teixeira, autor de grandes clássicos da música brasileira, não se sente um ser especial. É, como todos nós, um pequeno ser, um grão de areia no oceano.  Embora que - na juventude - tenha sonhado conquistar estrelas (como mostra outro clássico da música brasileira *).

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

O amor nada mais é que um estímulo ao acasalamento, que nos leva a fazer coisas e assumir compromissos que talvez não assumiríamos, se fossemos levados apenas pela razão. Mas, por outro lado, a natureza é muito maior que a ciência humana e nós, afinal de contas, somos mais natureza do que razão. Por isso, para sermos felizes, precisamos viver em harmonia com a natureza. A natureza é bela e admirável e, com moderação e cautela, fazemos bem em nos render às suas imposições. Nossa vã filosofia é muito menor do que as maravilhas naturais. A razão humana existe há apenas algumas dezenas de milhares de anos, enquanto a natureza vem se desenvolvendo há bilhões deles.

Todo mundo ama, um dia todo mundo chora.
Um dia a gente chega, no outro vai embora.
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Vivendo entre a compulsão dos instintos e os ditames da razão, temos de buscar o ponto de equilíbrio que nos permita uma vida feliz. Com bom senso, é possível ser feliz. Os maus momentos passam, se soubermos enfrentá-los sensatamente.